O seu projeto intelectual, pois que não era apenas literário, ampara-se nesse desdobramento caleidoscópico em outras personalidades e por meio dele adquire intrínseco dinamismo, como se um processo de associação levada ao paroxismo comandasse a multiplicação de ideias, sensações e pensamentos, numa ordem logo desfeita em desordem, numa equação lógica logo diluída em paradoxos que se acumulam, numa interminável proliferação.
A multiplicação em outros seres ou personalidades está na raiz desse processo. Mas ao mesmo tempo dele se beneficia, como se a despersonalização desencadeasse uma força eruptiva, dirigida ao âmago das coisas, e simultaneamente dela resultasse: multiplicar-se em outras personalidades significa multiplicar-se em maneiras de pensar e de ver a realidade. Assim, essas personalidades são outros “eus” que pensam com autonomia, ou dão a impressão de fazê -lo, e imaginá-lo ou realizá-lo equivale à dispersão em outros seres.
(Massaud Moisés. “Introdução”, 1997. Adaptado.)
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