O texto seguinte servirá de base para responder à questão abaixo:
"Primeiro, o pessoal se apresentou pela rua Saint-Antoine para entrar na fortaleza, onde nenhum homem penetrou contra a vontade do detestável despotismo: era lá que ainda residia o monstro. O traiçoeiro governador mandou desfraldar a bandeira da paz. O pessoal avançou confiante: um destacamento das Guardas Francesas, e talvez quinhentos ou seiscentos burgueses armados, entraram no pátio da Bastilha; mas assim que um grande número atravessou a primeira ponte levadiça, ela se ergueu: tiros de artilharia derrubaram vários guardas franceses e alguns soldados; o canhão atirou na cidade, o povo se apavorou; um grande número de indivíduos foram mortos ou feridos; mas o pessoal reuniu-se, pôs-se a salvo dos tiros, e correu para buscar canhões; os dos Inválidos tinham sido levados; os distritos foram avisados para enviar logo socorro; com as armas que chegavam dos Inválidos, eles armaram os cidadãos; os do faubourg Saint-Antoine vieram aos montes [...].
Mas voltemos à Bastilha: o pessoal estava na frente da segunda ponte levadiça; tratava-se de penetrar a fortaleza: o primeiro pátio não é intramuros. A ação se tornou cada vez mais intensa; os cidadãos se aguerriam nos tiros; subiam de todos os lados nos telhados, nas salas, e, assim que um [dos] inválido [s] aparecia entre as seteiras da torre, era atingido por cem fuzileiros, que o abatiam no mesmo instante, enquanto o tiro do canhão, as balas lançadas, derrubavam a segunda ponte levadiça e quebravam as correntes; o canhão das torres estrondava em vão, o pessoal estava protegido, o furor estava no auge, ou melhor, os cidadãos desafiavam a morte e o perigo; mulheres, à porfia, ajudavam com todas as suas forças; até crianças, depois das descargas do forte, corriam aqui e ali atrás de balas e metralha; furtivas e cheias de alegria, elas vinham se abrigar e apresentar as balas aos nossos soldados, que pelos ares levavam a morte aos covardes sitiados. [...]"
Relato de um dos ?vencedores? da Bastilha. Citado em J. Godechot, La prise de La Bastille, 14 juillet 1789, Paris, Gallimard, 1965. In: VOVELLE, Michel. A revolução francesa, 1789-1799; trad. Mariana Echalar - São Paulo: Editora Unesp, 2012.
O documento se refere a um dos marcantes da Revolução Francesa: a Queda da Bastilha. Com diversos desdobramentos e consequências marcantes, a Revolução de 1789 foi um dos eventos mais importantes na História da Civilização Ocidental.
Com base em seus conhecimentos sobre o contexto e os eventos da Revolução Francesa, aponte a alternativa INCORRETA.