O único inocente é aquele que não tem imputação, e que fez apenas uma travessura de criança, levado pelo instinto da amizade. Eu o corrijo, fazendo do autômato um homem; restituo-o à sociedade, porém expulso-o do seio de minha família e fecho-lhe para sempre a porta de minha casa. (a Pedro) Toma: é a tua carta de liberdade, ela será a tua punição de hoje em diante, porque as tuas faltas recairão unicamente sobre ti. [...] Livre, sentirás a necessidade do trabalho honesto e apreciará os nobres sentimentos que hoje não compreendes.
(José de Alencar. O demônio familiar, 2003.)
O Demônio familiar é uma comédia de costumes escrita em 1857. No enredo, as relações entre famílias brancas senhoriais do Rio de Janeiro são conturbadas pelas astúcias e intrigas de Pedro, “moleque escravo” do personagem Eduardo.
A comédia encerra-se com as palavras de Eduardo sobre os malefícios sociais da escravidão e sobre a forma de solucioná-los, com