O urubu mobilizado
Durante as secas do Sertão, o urubu, de urubu livre, passa a funcionário. O urubu não retira, pois prevendo cedo que lhe mobilizarão a técnica e o tato, cala os serviços prestados e diplomas, que o enquadrariam num melhor salário, e vai acolitar os empreiteiros da seca, veterano, mas ainda com zelos de novato: aviando com eutanásia o morto incerto, ele, que no civil quer o morto claro.
Embora mobilizado, nesse urubu em ação reponta logo o perfeito profissional. No ar compenetrado, curvo e conselheiro, no todo de guarda-chuva, na unção clerical, com que age, embora em posto subalterno: ele, um convicto profissional liberal.
MELO NETO, João Cabral de. O urubu mobilizado. In: A educação pela pedra. Rio de Janeiro: Alfaguara, 2008, p. 209.
Considerando o vocabulário empregado no Texto 3 e os sentidos promovidos pelo uso da linguagem figurada, analise as proposições a seguir.
I. O poeta se vale da associação entre urubu e morte para construir a metáfora do “urubu funcionário”, que trabalha intensamente no período da seca.
II. Verifica-se o emprego de um vocabulário relacionado ao mundo do trabalho ao lado de palavras associadas à morte.
III. O trecho “O urubu não retira” destaca a ideia de que “o urubu funcionário” age diferentemente de outras aves que, durante a seca, abandonam o Sertão.
IV. O urubu (funcionário) “vai acolitar os empreiteiros da seca”, isto é, vai acompanhá-los e ajudá-los.
V. A representação do urubu como um “perfeito profissional” constitui uma expressão de admiração por quem trabalha com profissionalismo e afinco.
Estão CORRETAS, apenas: