O velho do Restelo
Dura inquietação d’alma e da vida,
Fonte de desamparos e adultérios,
Sagaz consumidora conhecida
De fazendas, de reinos e de impérios:
Chamam-te ilustre, chamam-te subida,
Sendo dina de infames vitupérios;
Chamam-te Fama e Glória soberana,
Nomes com quem se o povo néscio engana!
A que novos desastres determinas
De levar estes reinos e esta gente?
Que perigos, que mortes lhe destinas
Debaixo dalgum nome preminente?
Que promessas de reinos, e de minas
D'ouro, que lhe farás tão facilmente?
Que famas lhe prometerás? que histórias?
Que triunfos, que palmas, que vitórias?
(Luis de Camões. Os Lusíadas, Canto IV. Disponível em: http://www.passeiweb.com/napontalingua/livros/analisescompletas/o/os_lusiadas_o_velho_do_restelo.)
O contexto descrito no poema remete à Expansão Ultramarina Portuguesa dos séculos XV e XVI.
Uma das causas do pioneirismo português nas Grandes Navegações foi