Ode ao burguês
Eu insulto o burguês! O burguês-níquel,
o burguês-burguês!
A digestão bem-feita de São Paulo!
O homem-curva! o homem-nádegas!
O homem que sendo francês, brasileiro, italiano,
é sempre um cauteloso pouco-a-pouco!
Eu insulto as aristocracias cautelosas!
Os barões lampiões! os condes Joões! os duques zurros!
que vivem dentro de muros sem pulos;
e gemem sangues de alguns mil-réis fracos
para dizerem que as filhas da senhora falam o francês
e tocam os “Printemps” com as unhas! [...]
Fora! Fu! Fora o bom burguês!
(De pauliceia desvairada. Mário de Andrade. Disponível em: http://www.horizonte.unam.mx/brasil/mario4.html.)
O poema de Mário de Andrade, exposto em 1922 na Semana de Arte Moderna, causou furor com essa visão crítica do burguês capitalista.
O significado do termo “burguês”, destacado pelo poeta,