ENEM/OBJ 2025 · Questão 29
“Óleo de baixa qualidade”, “que não tinha sabor”, “que era comida de negros” e “que só estragava a comida". Essas foram algumas frases que ouvi de alguns turistas – especialmente do Sudeste – durante a semana que estive em Porto Seguro na Bahia, visitando restaurantes. Conversei com 15 turistas – a maioria do eixo Rio/São Paulo – e questionei se eles já haviam provado pratos com dendê e o que eles haviam achado do sabor. Destes, somente três deram declarações positivas sobre o óleo. (...) A partir das frases apresentadas, podemos, sim, ter relatos de racismo culinário, pois um ingrediente identitário de nossa culinária está associado a aspectos negativos. Chega a ser engraçado o relato de que o azeite de dendê não tem sabor. Sua presença em um prato é marcante e inconfundível, seja na cor dourada, no cheiro e no sabor. Porém, ele é comumente associado às religiões de matriz africana, o que pode reforçar esta repulsa ao ingrediente, sob as mais diversas justificativas, como a redução da qualidade do prato ou a sensação de saciedade (ou sensação de peso) decorrente dele. Ora, a comida baiana tem o azeite de dendê como ingrediente principal, assim o seu sabor também está associado ao sabor do azeite, e sua substituição por qualquer outro ingrediente faz com que seja outro prato, e não “mais aquele de origem", afirma Fabiana Paixão Viana, doutora em Antropologia, com estudos na Antropologia da Alimentação. GAUTHIER, Jorge. Disponível em: https://www.correio24horas.com.br/asteriscao/moqueca-sem-dende-retirada-do-azeite-dos-pratos-tipicamente-baianos-contrapoe-ao-vies-cultural-do-ingrediente-diz-antropologa-0624 A análise da antropóloga citada sugere que a repulsa de pessoas ao azeite de dendê está relacionada
Resolução passo a passo com explicação detalhada
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