Os episódios de perseguição policial contra o monge José Maria foram motivados pelo temor da concentração de gente pobre do campo. As autoridades locais e estaduais, em sua maioria grandes fazendeiros e oficiais da Guarda Nacional, sentiam que tinham como missão subjugar os sertanejos que não se submetiam mais aos seus respectivos coronéis. Formavam-se grupos autônomos, com fortes vínculos religiosos [...]. Originalmente, essas comunidades não eram hostis nem militarizadas, mas seu anseio por independência despertou a ira dos governantes, da imprensa e dos fazendeiros. A linguagem cabocla passou a ser desqualificada pelas autoridades como “puro fanatismo”.
MACHADO, Paulo Pinheiro. Tragédia anunciada: Coronéis locais, forças estaduais e Exército se uniram para combater as “cidades santas” Territórios autônomos criados por caboclos. Revista de História da Biblioteca Nacional. Edição 117. Publicada em 1º de outubro de 2012
A Guerra do Contestado (1912-1916) foi uma longa e sangrenta disputa entre os seguidores do monge José Maria e as forças policiais e militares.
Os povoados rebeldes eram comunidades autônomas nas quais