Os fragmentos abaixo foram extraídos do poema Morte e Vida Severina, de João Cabral de Melo Neto, obra que conta a trajetória do retirante Severino, que fugindo da seca, chega a Recife. Relacione cada fragmento à sua interpretação e, em seguida, assinale respectivamente, a sequência CORRETA:
Fragmento I
que é a morte de que se morre
de velhice antes dos trinta,
de emboscada antes dos vinte,
de fome um pouco por dia
(de fraqueza e de doença
é que a morte severina
ataca em qualquer idade,
e até gente não nascida).
Fragmento II
iguais em tudo e na sina:
a de abrandar estas pedras
suando-se muito em cima,
a de tentar despertar
terra sempre mais extinta,
a de querer arrancar
algum roçado da cinza.
Fragmento III
Como há muitos Severinos,
que é santo de romaria,
deram então de me chamar
Severino de Maria;
como há muitos Severinos
com mães chamadas Maria,
fiquei sendo o da Maria
do finado Zacarias.
Fragmento IV
Somos muitos Severinos
iguais em tudo na vida:
na mesma cabeça grande
que a custo é que se equilibra,
no mesmo ventre crescido
sobre as mesmas pernas finas,
e iguais também porque o sangue
que usamos tem pouca tinta.
Fragmento V
Mas, para que me conheçam
melhor Vossas Senhorias
e melhor possam seguir
a história de minha vida,
passo a ser o Severino
que em vossa presença emigra.
( ) o eu-lírico refere-se à desnutrição e seus reflexos na constituição física dos nordestinos.
( ) o eu-lírico apresenta as justificativas do retirante em relação à sua identidade.
( ) o eu-lírico refere-se à problemática político-social que leva os nordestinos à morte ainda jovens.
( ) o eu-lírico apresenta o momento em que o personagem torna-se um migrante, motivado pelas dificuldades encontradas.
( ) o eu-lírico trata da dificuldade de trabalhar a terra nordestina em virtude de sua aridez.
Assinale a alternativa CORRETA: