Os indígenas do Brasil Colônia utilizavam tintura em seu corpo, produzida com material extraído de plantas. Duas substâncias extraídas de duas espécies vegetais se relacionam diretamente com a pigmentação vermelha e a pigmentação preta, feitas na pele dos indígenas da época. A pigmentação preta era causada pela reação de uma substância incolor, obtida da seiva de frutos maduros e frescos do jenipapo, com as proteínas da pele. A pigmentação vermelha se devia à presença de uma substância existente na tintura feita com sementes de uma planta conhecida como urucum.
As representações estruturais das substâncias (I e II), responsáveis por essas pigmentações na pele dos indígenas, são apresentadas a seguir:
A pigmentação vermelha e a pigmentação preta no corpo dos nativos impressionavam bastante os colonizadores portugueses, como pode ser observado no trecho extraído da carta de Pero Vaz de Caminha enviada ao El-rei D. Manuel I, reproduzido a seguir:
Uma daquelas moças estava toda tinta, de baixo acima, daquela tintura, a qual, na verdade, era tão bem feita e tão redonda, e sua vergonha, que ela não tinha, tão graciosa, que a muitas mulheres de nossa terra, vendo-lhes tais feições, faria vergonha, por não terem a sua como ela.
[...] Traziam alguns deles ouriços verdes, de árvores, que na cor, quase queiram parecer de castanheiros; apenas que eram mais e mais pequenos. E os mesmos eram cheios de grãos vermelhos, pequenos, que, esmagando-os entre os dedos, faziam tintura vermelha, da que eles andavam tintos; e quanto se mais molhavam mais vermelhos ficavam.
Trecho da carta de Pero Vaz de Caminha ao El-rei D. Manoel I.
A substância que se relaciona ao trecho da carta de Pero Vaz de Caminha, citado acima, é a