Os liberais estavam decididos a se lançar à guerra. Como Aureliano tinha nessa época noções muito confusas das diferenças entre conservadores e liberais, o sogro lhe dava lições esquemáticas. Os liberais, dizia, eram maçons; gente de má índole, partidária de enforcar os padres, de instituir o casamento civil e o divórcio, de reconhecer iguais direitos aos filhos naturais e aos legítimos, e de despedaçar o país num sistema federal que despojaria de poderes a autoridade suprema. Os conservadores, ao contrário, que tinham recebido o poder diretamente de Deus, pugnavam pela estabilidade da ordem pública e pela moral familiar; eram os defensores da fé de Cristo, do princípio de autoridade, e não estavam dispostos a permitir que o país fosse esquartejado em entidades autônomas.
Gabriel García Márquez Cem anos de solidão. Rio de Janeiro: O Globo; São Paulo: Folha de S. Paulo, 2003.
No romance Cem anos de solidão, de 1967, a história criada por Gabriel García Márquez usou como pano de fundo uma disputa fundamental no processo de formação dos Estados Nacionais na América Latina no século XIX.
Com base no trecho citado, tal disputa está evidenciada na oposição entre: