Os poemas apresentados a seguir compõem a obra O guardador de rebanhos, de Alberto Caeiro.
Poema XVI
Quem me dera que a minha vida fosse um carro de
bois
Que vem a chiar, manhãzinha cedo, pela estrada,
E que para de onde veio volta depois
Quase à noitinha pela mesma estrada.
Eu não tinha que ter esperanças – tinha só que ter
rodas...
A minha velhice não tinha rugas nem cabelo branco...
Quando eu já não servia, tiravam-me as rodas
E eu ficava virado e partido no fundo de um barranco.
Poema XXXV
O luar através dos altos ramos,
Dizem os poetas todos que ele é mais
Que o luar através dos altos ramos.
Mas para mim, que não sei o que penso,
O que o luar através dos altos ramos
É, além de ser
O luar através dos altos ramos,
É não ser mais
Que o luar através dos altos ramos.
Considerando-se uma leitura comparativa desses poemas, bem como observando-se a sequência de poemas desta obra, assinale a alternativa CORRETA.