Os textos a seguir, produzidos em épocas distintas, refletem uma mesma problemática. O livro O Mulato foi escrito 7 anos antes da abolição da escravidão negra no Brasil, retratando a visão da sociedade, na época, com relação a esse grupo étnico. Em 2015, uma matéria jornalística sobre a vida de uma apresentadora de TV denuncia a mesma situação. Leia-os para responder à questão.
1881 - O Mulato
— Recusei-lhe a mão de minha filha, porque o senhor é... é filho de uma escrava...
— Eu?!
— O senhor é um homem de cor!... Infelizmente esta é a verdade... Raimundo tomou-se lívido. Manuel prosseguiu, no fim de um silêncio: — Já vê o amigo que não é por mim que lhe recusei Ana Rosa, mas é por tudo! A família de minha mulher sempre foi muito escrupulosa a esse respeito, e como ela é toda a sociedade do Maranhão! [...] o senhor, porém, não imagina o que é por cá a prevenção contra os mulatos!... Nunca me perdoariam um tal casamento; além do que, para realizá-lo, teria que quebrar a promessa que fiz a minha sogra, de não dar a neta senão a um branco de lei, português ou descendente direto de portugueses.
Fonte: AZEVEDO, A. O Mulato. São Paulo: Ed. Livraria Matins, 1959.
2015 — Apresentadora viu preconceito racial em namoro e quer ser referência na TV
A apresentadora K.A. vibra cada vez que vê jornalistas e âncoras negros na TV. Diz que nunca sofreu preconceito por questão racial no trabalho. Mas, na vida pessoal, chegou a vivenciar algumas situações delicadas, inclusive até com a família de um ex-namorado. [...]"Passei por diversas situações. [...] Quando a família descobriu que a gente estava namorando, [...] minha vida virou inferno. Eu não entendia porque não aceitavam até que foi verbalizado: ela é negra e não serve para entrar na família!
Fonte: https://uolesportvetv.blogosfera.uol.com.br/2015/09/17/unica-negra-do-esporte-na-tv-fechada-ja-encarou-preconceito-ate-em-namoro/
Ao comparar os textos, pode-se afirmar que decorridos, aproximadamente, dois séculos do fim da escravidão negra, no Brasil,