Paisagem noturna
A sombra imensa, a noite infinita enche o vale ...
E lá do fundo vem a voz
Humilde e lamentosa
Dos pássaros da treva. Em nós,
[5] — Em noss’alma criminosa,
O pavor se insinua ...
Um carneiro bale.
Ouvem-se pios funerais.
Um como grande e doloroso arquejo
[10] Corta a amplidão que a amplidão continua . . .
E cadentes, metálicos, pontuais,
Os tanoeiros do brejo,
Os vigias da noite silenciosa,
Malham nos aguaçais.
[15] Pouco a pouco, porém, a muralha de treva
Vai perdendo a espessura, e em breve se adelgaça
Como um diáfano crepe, atrás do qual se eleva
A sombria massa
Das serranias. [...]
BANDEIRA, Manuel. Paisagem noturna. Disponível em: http:// www.jornaldepoesia.jor.br/manuelbandeira01.html . Acesso em: 9 nov. 2014.
Embora Manuel Bandeira seja o autor da primeira geração modernista, propondo uma poética libertadora e transgressora, muitas vezes, retoma perfis poéticos de outras tradições literárias, como ocorre em relação ao