Para Foucault, [...] nós sentimos que, a todo momento, estamos sendo vigiados, muito embora não saibamos se existe realmente alguém nos vigiando. Com o passar do tempo, internalizamos o vigia: nos tornamos úteis, dóceis e disciplinados, uma vez que incorporamos as regras e normas sociais, como se houvesse uma torre e alguém a nos vigiar e punir. O fato de termos nossas ações registradas, vigiadas e gravadas, combinado ao fato de que nós mesmos, espontaneamente, vigiamos uns aos outros, garantem o funcionamento automático do poder.
[...] Foucault nos mostra como esse sistema nos impõe uma disciplina e um mecanismo de autorrepressão, que aponta uma única forma de existir, uma única maneira de pensar, uma única maneira de ser feliz, em suma, uma única maneira de construir-se a si mesmo. Na prática, seria uma “ditadura interna”, que pode ser tão terrível quanto uma ditadura no sentido político, já que atinge o âmago de nossa individualidade.
(PARA FOUCAULT... 2018. p. 178).
O controle sobre os diversos aspectos do cotidiano e o estabelecimento de um Estado autoritário foram ideias defendidas, no Brasil,