Para responder à questão, considere o fragmento abaixo:
À espera da entrada da Cavalhada
“— Um o quê? – exclamou o Corregedor, dando uma espécie de bote para o meu lado.
Eu, pegado de surpresa, sem saber o motivo daquele salto, repeti mais alto:
— Você não disse que, na capa dos Cavaleiros do Azul, havia uma cruz?
— Disse sim Senhor!
— Que forma o senhor disse que tinha a marca, queimada a ferro em brasa na espádua de Dom Pedro Sebastião?
— A forma de um crescente, encimado por uma cruz! – disse eu, esmagado.
— Pois eu lhe pergunto, senhor Quaderna: se fosse o senhor quem estivesse investigando o crime, não acharia estranha a coincidência não?
— Sr. Corregedor, toda Cavalhada sertaneja tem esses emblemas!
— Acredito! Mas, por um motivo de pura rotina processual, convém anotar esse fato confessado pelo depoente, Dona Margarida. Anotou?
— Anotei, Doutor!
— Ótimo! Agora, pode continuar, Sr. Pedro Dinis Quaderna!
O nó de lacraias começava a me enredar cada vez mais, nobres Senhores e belas Damas de peito macio. De modo que fui sentindo aumentar a sensação de aperto no estômago e fazendo um enorme esforço para que o Corregedor não notasse a minha perturbação que continuei a narração dos acontecimentos daquele terrível dia:
— Para assistir à entrada dos Cavaleiros na rua, Sr. Corregedor, tinham vindo à Praça quase todos os moradores de nossa Vila. A Aristocracia rural e a Nobreza-de-toga tinham se distribuído num palanque, previamente armado para isso. A Burguesia urbana sentava-se em cadeiras de braço e cadeiras de balanço, espalhadas pelas calçadas da Praça. Quanto ao Povo, como diziam Clemente e Dom Eusébio Montouro, “estava, como, sempre, a pé e na poeira do chão”. No palanque, estava, portanto, o que havia de melhor entre nós, quanto a Damas e varões de alta linhagem: sendo que, logo lado a lado do Prefeito e do Presidente do Conselho, destacavam-se, flamejantes, as figuras de meus dois mestres, Clemente e Samuel [...]”
(SUASSUNA, Ariano. A Pedra do Reino. 5. ed. Rio de Janeiro: José Olympio, 2005. p. 329/330 – com alteração).
No fragmento acima, tem-se a descrição feita por Quaderna sobre a situação na qual se encontravam os moradores da Vila de Taperoá, à esperada da Cavalhada.
Sobre essa passagem e a obra como um todo, NÃO é correto afirmar que: