Para responder à questão, considere os dois excertos a seguir retirados do romance Nove noites (2002), de Bernardo Carvalho.
Excerto 1:
Desde então eu o esperei, seja você quem for. Sabia que viria em busca do que era seu, a carta que ele lhe escrevera antes de se matar e que, por segurança, me desculpe, guardei comigo, desconfiado, já que não podia compreender o que ali estava escrito – embora suspeitasse – nem correr o risco de pedir ao professor Pessoa que me traduzisse aquelas linhas. Foi a única que não remeti ao Rio de Janeiro.
Excerto 2:
Ninguém nunca me perguntou. E por isso também nunca precisei responder. Não posso dizer que nunca tivesse ouvido falar nele, mas a verdade é que não fazia a menor ideia de quem ele era até ler o nome de Buell Quain pela primeira vez num artigo de jornal, na manhã de 12 de maio de 2001, um sábado, quase sessenta e dois anos depois da sua morte às vésperas da Segunda Guerra.
(CARVALHO, Bernardo. Nove noites. São Paulo: Companhia das Letras, 2002, p. 12-13.)
No plano da fabulação, Manoel Perna esconde uma das cartas, pois: