Para responder à questão, leia a crônica “A voz do Zaire”, de Carlos Drummond de Andrade, publicada originalmente em 11.04.1974.
De futebol não entendo, e é tarde para começar a entender. Por isso não me permito dar conselho a mestre Zagallo, e muito menos chamá-lo à ordem, como faz tanta gente que tem no bolso da calça a Seleção ideal, além da fórmula infalível para que o Brasil tire de letra o quarto Campeonato Mundial. Confio em Zagallo como costumo confiar no motorista de ônibus (também não entendo de condução de veículos) que, quase sempre, me leva para casa, no horário vespertino. O primeiro já demonstrou seu saber de experiências feito. O segundo, idem, pois até agora tenho regressado são e salvo, o que significa, mais ou menos: vitorioso.
Este nariz de cera tem como objetivo esclarecer que, se vou falar hoje em Zaire, não é absolutamente com vistas à análise crítica do futebol do Zaire, e às possibilidades que a Seleção Brasileira tem de triunfar no jogo com os atletas de lá. Porque agora só se pensa nesse país em termos de pelota, e dizer Zaire é dizer um competidor do caneco.
(Carlos Drummond de Andrade. Quando é dia de futebol, 2014.)
Um vocábulo também pode ser formado quando passa de uma classe gramatical a outra, sem a modificação de sua forma. É o que se denomina derivação imprópria.
Constitui exemplo de derivação imprópria o vocábulo sublinhado em: