Para responder a questão, leia atentamente o fragmento da obra “A Pedra do Reino” de Ariano Suassuna:
“Tudo isso me ajudava, aos poucos, a entender cada vez melhor a história da Pedra do Reino e a me orgulhar da realeza e cavalaria dos meus antepassados. Tornava também o mundo, aquele meu mundo sertanejo, áspero, pardo e pedregoso, um Reino Encantado, semelhante àquele que meus bisavós tinham instaurado e que ilustres PoetasAcadêmicos tinham incendiado de uma vez para sempre em meu sangue.
Minha vida, cinzenta, feia e mesquinha, de menino sertanejo reduzido à pobreza e à dependência pela ruína da fazenda do Pai, enchia-se dos galopes, das cores e bandeiras das Cavalhadas, dos heroísmos e cavalarias dos folhetos. Assim, quando agora me acontecia evocar os acontecimentos da Pedra do Reino, o que eu via eram os Pereiras, como uma espécie de Cavaleiros Cristãos do Cordão Azul, assediando e assaltando o Reino criado e defendido pelos Reis Mouros do Cordão Encarnado da família Quaderna. Sonhava em me tornar, também, um dia, Rei e Cavaleiro, como meu bisavô. Não para degolar os outros, mas para conquistar Rosa e sete Princesas, queimando sete coivaras e abrindo, ainda, a broca dos cercados dos outros, pelo direito real de "dispensar" todas as donzelas do Reino em sua primeira noite de casadas.”
(SUASSUNA, Ariano. A Pedra do Reino. 5. ed. Rio de Janeiro: José Olympio, 2005. p. 76-77 – com alteração).
Considerado um dos maiores escritores do século XX, Ariano Suassuna mescla na obra A Pedra do Reino elementos típicos da cultura popular a elementos representativos da cultura erudita. Essa mistura é uma das características do movimento armorial que pretendia reafirmar as raízes culturais brasileiras por meio da arte.
Tal assertiva confirma-se: