Para responder a questão, leia o poema abaixo escrito por Drummond na ocasião da morte da atriz Cacilda Becker:
Atriz
A morte emendou a gramática.
Morreram Cacilda Becker.
Não era uma só. Era tantas.
Professorinha pobre de Piraçununga
Cleópatra e Antígona
Maria Stuart
Mary Tyrone
Marta de Albee
Margarida Gauthier e Alma Winemiller
Hannah Jelkes a solteirona
a velha senhora Clara Zahanassian
adorável Júlia
outras muitas, modernas e futuras
irreveladas.
Era também um garoto descarinhado e astuto: PingaFogo
e um mendigo esperando infinitamente Godot.
Era principalmente a voz de martelo sensível
martelando e doendo e descascando
a casca podre da vida
para mostrar o miolo de sombra
a verdade de cada um dos mitos cênicos.
Era uma pessoa e era um teatro.
Morrem mil Cacildas em Cacilda.
(ANDRADE, Carlos Drummond. Atriz. In: FERNANDES, Nanci e VARGAS, Maria Thereza (Org.): Uma atriz: Cacilda Becker, São Paulo: Perspectiva, 1984.)
Considerando o texto acima e o processo de construção poética, é correto dizer que: