Para responder à questão, leia o texto a seguir, intitulado “Órfã”, de autoria da escritora indígena e ativista Eliane Potiguara. O poema integra uma coletânea de textos de diferentes gêneros produzidos pela autora ao longo de cerca de 20 anos, publicados pela primeira vez nos anos 1990.
“Não adianta fugir dessa realidade
Quando te trazem aos braços
Uma criança que nem dois anos completos tem
E tua boca que gargalhadas davam
Ao sabor do álcool
Se cala
E emudece de vez
E te desarma
É uma criança faminta
Doente
Órfã de pais
Órfã de país.”
POTIGUARA, Eliane. Órfã. In: Metade cara, metade máscara. São Paulo: Global, 2004. pp. 35-36.
Percebe-se, no poema, a mobilização de vozes ambíguas e híbridas. Esse efeito de ambiguidade ou hibridismo é instaurado já no primeiro verso e reforçado, na sequência, por meio de um recurso linguístico que, em geral, ocorre em interações informais e orais, em que alguém pretende reclamar de algo, criar efeito de vitimização ou de reivindicação, porém não se identifica como essa vítima.
Em qual alternativa é indicado esse recurso?