Para responder à questão, leia o trecho de um poema de Alvarenga Peixoto.
Ao mundo esconde o Sol seus resplendores
e a mão da Noite embrulha os horizontes;
não cantam aves, não murmuram fontes,
não fala Pã1 na boca dos pastores.
Atam as Ninfas2, em lugar de flores,
mortais ciprestes sobre as tristes frontes;
erram chorando nos desertos montes,
sem arcos, sem aljavas3, os Amores.
(José Lino Grünewald (org.). Os poetas da Inconfidência, 1989.)
1 Pã: na tradição greco-latina, o deus dos pastores.
2 Ninfas: na tradição greco-latina, divindades que habitavam os rios, fontes, bosques, montes e prados.
3 aljava: estojo sem tampa em que se guardavam e transportavam as flechas, e que era carregado nas costas.
Diferentemente do que se costuma observar na poesia árcade, verificam-se nesse trecho muitas inversões (ou seja, alterações da ordem direta da frase).
Reescrito em ordem direta, o verso inicial assume a seguinte redação: