Albert Einstein 2025 · Questão 8
Para responder às questões de 06 a 09, leia o poema "Aproximação do terror", de Murilo Mendes, escrito entre 1943 e 1945, mas publicado originalmente em 1947 no livro Poesia Liberdade. 1 Dos braços do poeta Pende a ópera do mundo (Tempo, cirurgião do mundo): O abismo bate palmas, A noite aponta o revólver. Ouço a multidão, o coro do universo, O trote das estrelas Já nos subúrbios da caneta: As rosas perderam a fala. Entrega-se a morte a domicílio. Dos braços... Pende a ópera do mundo. 2 Tenho que dar de comer ao poema. Novas perturbações me alimentam: Nem tudo o que penso agora Posso dizer por papel e tinta. O poeta já nasce conscrito, Atento às fascinantes inclinações do erro, Já nasce com as cicatrizes da liberdade. O ouvido soprando sua trompa Percebe a galope A marcha do número 666. Palpo¹ a Quimera². O tremor E os jasmins da palavra "jamais". 3 Dos telhados abstratos Vejo os limites da pele, Assisto crescerem os cabelos dos minutos No instante da eternidade. Vejo ouvindo, ouço vendo. Considero as tatuagens dos peixes, O astro monossecular. Os rochedos colocam-se máscaras contra [pássaros asfixiantes. A grande Babilônia ergue o corpo de dólares. Ruído surdo, o tempo oco a tombar... A espiral das gerações cresce. (Murilo Mendes. Antologia poética, 2014.) ¹ palpar: apalpar. ² Quimera: monstro mitológico com cabeça de leão, corpo de cabra e cauda de serpente.
Em um ensaio sobre o poema de Murilo Mendes, o crítico Murilo Marcondes de Moura assinalou que, "à sua maneira, 'Aproximação do terror' também é um poema em que se discutem o lugar do poeta e a função da poesia" (In: Alfredo Bosi (org.). Leitura de poesia, 2007.). A se considerar esse ponto de vista do crítico, o poema assume também uma dimensão
Resolução passo a passo com explicação detalhada
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