PEQUEI, SENHOR....
Pequei, Senhor, mas não porque hei pecado,
de vossa alta clemência me despido;
porque quanto mais tenho delinquido,
vos tenho a perdoar mais empenhado.
Se basta a vos irar tanto um pecado,
a abrandar-vos sobeja um só gemido:
que a mesma culpa, que vos há ofendido,
vos tem para o perdão lisonjeado.
Se uma orelha perdida e já cobrada,
glória tal e prazer tão repentino
vos deu, como afirmais na sacra história,
Eu sou, Senhor, a ovelha desgarrada,
cobrai-a; e não queirais, pastor divino,
perder na vossa ovelha a vossa glória.
Gregório de Mattos
Do livro: "Livro dos Sonetos", LP&M Editores, 1996, RS Enviado por: Márcia Maia
Sobre a análise do poema, seguem duas assertivas ligadas pela palavra PORQUE:
O poema apresenta características de um estilo de época em que o homem vivia um conflito entre o divino e o pecado.
PORQUE
Retrata um diálogo entre o eu-lírico e Deus, enfatizando sua condição de pecador em busca de perdão.
A propósito das assertivas, afirma-se que: