Percevejo e formiga indicam origem de drogas que entram no país
Insetos encontrados dentro de pacotes de maconha poderão se tornar "informantes" policiais, indicando locais de plantio e possíveis rotas de distribuição da droga até os centros consumidores. A possibilidade foi testada por um pesquisador da UnB (Universidade de Brasília), que analisou 52 fragmentos de insetos contidos em 7,5 kg da droga prensada − oriundos de duas apreensões realizadas no Distrito Federal.
Em sua pesquisa de mestrado, o biólogo Marcos Patrício Macedo conseguiu identificar uma espécie de formiga (Cephalotes pusillus) e duas de percevejo (Euschistus heros e Thyanta perditor) nos pacotes da droga.
Ao cruzar os registros de ocorrência dos insetos com o mapa das principais áreas de cultivo de maconha na América do Sul (inclui regiões da Colômbia, da Bolívia, do Paraguai e do Nordeste do Brasil), ele afirma ter descoberto a origem provável da droga até o DF: o Paraguai.
No estudo, o pesquisador, que trabalha como perito da Polícia Civil, diz que as duas espécies de percevejo são pragas de monoculturas (soja, principalmente), mas uma delas não tem registros no Nordeste do Brasil "o que excluiria o chamado Polígono da Maconha, em Pernambuco, da lista de ‘suspeitos’". A espécie de formiga, por sua vez, não tem registro de ocorrência na Colômbia.
(Folha Online, 13/05/2011)
As plantas de maconha consumidas hoje em dia são fruto da triagem feita pelos plantadores, que buscam quantidades cada vez maiores de THC, uma molécula que tem efeitos no sistema nervoso central. O procedimento é cultivar preferencialmente as sementes provenientes de plantas capazes de produzir maiores quantidades de THC, dispensando as outras. Embora o procedimento conduzido pelos plantadores seja artificial, ele é semelhante e comparável a outro processo, que ocorre normalmente entre os seres vivos. Esse processo é a