PNEUMOTÓRAX
Manuel Bandeira
FEBRE, HEMOPTISE, dispneia e suores noturnos.
A vida inteira que podia ter sido e que não foi.
Tosse, tosse, tosse.
Mandou chamar o médico:
– Diga trinta e três.
– Trinta e três... trinta e três... trinta e três...
– Respire.
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– O senhor tem uma escavação no pulmão esquerdo e o pulmão direito infiltrado.
– Então, doutor, não é possível tentar o pneumotórax?
– Não. A única coisa a fazer é tocar um tango argentino.
(BANDEIRA, Manuel. Pneumotórax. In: Manuel Bandeira/Poesia completa e prosa. Rio de Janeiro: Aguilar, 1993. p. 206.)
Das análises da fortuna crítica literária sobre a obra de Manuel Bandeira, escolha a que pode ser relacionada, especificamente, ao poema Pneumotórax.