Por todo o mundo, variadas democracias vêm assistindo, nas últimas décadas, a um processo de transformação da natureza e da forma das campanhas eleitorais e das estratégias de comunicação política de candidatos e governos. [...].
Uma das marcas desse modelo é a valorização da figura do candidato ou do governante em detrimento do partido político ou do governo. [...] O autor norte-americano Martin Wattenberg designa esse fenômeno como a “ascensão da política centrada nos candidatos”.
Em resumo, ele sustenta que, quando a opinião pública tende à neutralidade sobre os partidos, é o candidato quem polariza o debate. A perda de referenciais ideológicos dos partidos ajudou a deslocar o eixo da discussão para as supostas qualidades dos candidatos e para fatores de curto prazo. Competência, integridade, capacidade de decisão, carisma e atributos pessoais (aparência, idade, religião, saúde etc.) preenchem o espaço deixado vago pela discussão política, sobretudo em disputas pouco ideologizadas.
Há muitos riscos e problemas nesse modelo: a sociedade fica à espera daquele que nos redimirá dos problemas como se essa liderança existisse. Má notícia para quem espera por isso: na vida real, só há homens e mulheres, não heróis. Ou a sociedade se organiza para discutir seus problemas e apresentar soluções – e os partidos políticos deveriam ser fóruns para isso – ou o país continuará à espera de “salvadores” que nunca chegarão. [...].
(LEAL, 2014).
O estilo político descrito no texto pode ser identificado, no Brasil, na campanha eleitoral presidencial de