PORQUINNHO-DA-ÍNDIA
Quando eu tinha seis anos
Ganhei um porquinho-da-índia.
Que dor de coração me dava
Porque o bichinho só queria estar debaixo do fogão!
Levava ele pra sala
Pra os lugares mais bonitos mais limpinhos
Ele não gostava:
Queria era estar debaixo do fogão.
Não fazia caso nenhum das minhas ternurinhas…
— O meu porquinho-da-índia foi a minha primeira namorada.
(Manuel Bandeira. Libertinagem e Estrela da manhã.)
Manuel Bandeira é considerado um dos mais importantes poetas da primeira geração modernista brasileira. O poema em questão é um bom exemplo da renovação estética proposta pelo grupo de modernistas que, dentre seus propósitos, defendia: