Psicologia de um vencido
Eu, filho do carbono e do amoníaco,
Monstro de escuridão e rutilância,
Sofro, desde a epigênese da infância,
A influência má dos signos do zodíaco.
Profundissimamente hipocondríaco,
Este ambiente me causa repugnância...
Sobe-me à boca uma ânsia análoga à ânsia
Que se escapa da boca de um cardíaco.
Já o verme – este operário das ruínas –
Que o sangue podre das carnificinas
Come, e à vida em geral declara guerra,
Anda a espreitar meus olhos para roê-los,
E há de deixar-me apenas os cabelos,
Na frialdade inorgânica da terra!
(Poema do livro “Eu”, de Augusto dos Anjos, publicado em 1912)
A partir do trecho acima, pode-se dizer que
I. Augusto dos Anjos era claramente poeta simbolista, pois descreve um mundo para além do nosso, terreno.
II. o poema se funda numa linguagem científica incomum para a poesia da época, tanto a parnasiana quanto a simbolista.
III. trata da morte de um ponto de vista material, sem qualquer orientação para a eternidade da alma.
Está correto o que se afirma