Quarto de Despejo apresenta a edição dos diários de Carolina Maria de Jesus, migrante de Sacramento, Minas Gerais, mãe solteira e moradora da primeira grande favela de São Paulo, a Canindé, que foi desocupada em meados dos anos 1960 para a construção da Marginal do Tietê. No livro, a catadora relata o dia a dia da sua vida a partir da visão de quem não pôde chegar até o segundo ano do ensino fundamental. Apesar de ter sido escrito na década de 1950, suas temáticas ainda são muito atuais.
Leia um dos relatos extraídos do diário e analise as afirmativas que a ele se referem.
16 DE MAIO
Eu amanheci nervosa. Porque eu queria ficar em casa, mas eu não tinha nada para comer. ...Eu não ia comer porque o pão era pouco. Será que é só eu que levo esta vida? O que posso esperar do futuro? Um leito em Campos do Jordão*. Eu quando estou com fome quero matar o Janio, quero enforcar o Adhemar e queimar o Juscelino. As dificuldades corta o afeto do povo pelos políticos.
*Campos do Jordão: estância climática paulista, tradicionalmente procurada para tratamento de tuberculose. (N.E.)
JESUS, Carolina Maria de. Quarto de despejo – diário de uma favelada. São Paulo: Francisco Alves, 1960.
Todas as afirmativas são verdadeiras, exceto