Que fim levaram aqueles rapazes literatos de São Paulo, que a Semana de Arte Moderna lançou em 1922?... Me refiro exatamente aos “novos” que ainda não tinham nenhuma fé de ofício literária, e que apareciam então pela primeira vez. Eram uma bem numerosa companhia e ajudaram decisivamente a que nos fingíssemos de exército, quando aparecemos todos juntos do palco do Teatro Municipal, formando um luzido segundo plano pra que a vaidade de Graça Aranha se sentisse satisfeita de falar. Bom, mas não quero ser apenas maldoso, e reconheço com facilidade que, da parte de Graça Aranha, não havia apenas vaidade, mas, principalmente, uma forte dose de convicção e entusiasmo. Entusiasmo por nós? Convicção pela arte que fazíamos? Certamente não, e nem por isso ele merecerá pedradas. A nossa arte era bastante incerta e continha em sua pesquisa exagerada germes de caducidade que a lucidez do mestre havia certamente de enxergar. O fato é que toda aquela rapaziada paulista, se ainda luziluziu nas páginas da revista Klaxon, que viveu nesse mesmo ano, aos poucos desapareceu; por que desapereceu? [...]
ANDRADE, Mário de. Noção de responsabilidade (19-III-1939). In: _______. O empalhador de passarinho. Disponível em: <https://books.google.com.br/books>.
Mário de Andrade foi poeta, ficcionista, cronista, crítico literário e pesquisador do folclore – da música e das artes plásticas nacionais. São obras do escritor: