Raiva o incêndio. A ruir, soltas, desconjuntadas,
As mulheres de pedra, o espaço adormecido
De eco em eco acordando ao medonho estampido,
Como a um sopro fatal, rolam esfaceladas.
E os templos, os museus; o Capitólio erguido
Em mármor frígio, o Foro, as eretas arcadas
Dos aquedutos, tudo as garras inflamadas
Do incêndio cingem, tudo esbroa-se partido.
Longe, reverberando o clarão purpurino,
Arde em chamas o Tibre e acende-se o horizonte...
— Impassível, porém, no alto do Palatino,
Nero, com o manto grego ondeando ao ombro, assoma
Entre os libertos, e ébrio, engrinaldada a fronte,
Lira em punho, celebra a destruição de Roma.
BILAC, Olavo. O incêndio de Roma. Olavo Bilac: Obra reunida. Rio de Janeiro: Nova Aguilar, 1996. p. 100.
Segundo Alexei Bueno “Para os nossos parnasianos, o historicismo servia de meio para compor um quadro, belo em si próprio [...]”
O poema ilustra tal afirmativa, pois