Sabe que eu nunca tinha estado nesta casa? - disse ele. - Sempre que nos víamos, era Nuria quem ia ao meu encontro. “Para o senhor e mais fácil, pai”, dizia ela. “Para quê vai subir escadas? ” Eu sempre lhe dizia: “Bem, se você não me convidar eu não vou”, e ela respondia: “Não preciso convida-Io para a minha casa, pai, nós convidamos estranhos. O senhor pode vir quando quiser. ” Em mais de 15 anos, não vim vê- la uma só vez. Sempre lhe disse que ela havia escolhido um péssimo bairro. Pouca luz. Um prédio velho. Ela só concordava. [...]. E curioso como julgamos os demais e não percebemos o quão miserável é nosso desprezo até eles nos faltarem, até serem tirados de nós. São tirados de nós porque nunca foram nossos...
ZAFÓN, Carlos Ruiz. A Sombra do Vento. Rio de Janeiro: Objetiva, 2007, p.293
Reconhecem-se, nesse trecho, sentimentos de amor e arrependimento encontrados nas relações familiares.
Esses sentimentos são traduzidos
l - pela descrição da dura realidade da vida da filha, Nuria.
II - pelas decepções causadas pela filha em morar num péssimo bairro.
III - pela ausência de gestos de carinho com a filha.
IV - pelo sentimento de menosprezo que tratava a filha.
É correto apenas o que se afirma em