São três. Três moças. Mocinhas velhas; moças porque não se casaram. Cada uma com seu corpo, seu jeito e seu modinho de contar, de conversar, coisas miudinhas de suas vidinhas.
Lia, Nhola, Joaninha.
Lia, espigada, sequinha. Paletó cinturado de babadinho; saia comprida de babado, paninho ralo, alegrinho, florado, desbotado, conservado.
Nhola, baixota, encorpadinha, vai emendando e pontilhando os casos que Lia conta. Pés no chão. Dizem que tem sapatos de entrar na igreja. Saindo fora, guarda, “inconomicamente”.
Joaninha, ninguém conhece. Contam que é gorda e que não aguenta bater de a pé as dez léguas do caminho.
CORALINA, Cora. Quadritos da vida. In: Estórias da Casa Velha da Ponte. 13. ed. São Paulo: Global, 2006. p. 37.
Predomina no texto a seguinte função de linguagem: