Senhores
Atrás dos muros da noite
Sem que ninguém o perceba
Muitos dos meus ancestrais
Já mortos há muito tempo
Reúnem-se em minha casa
E nos pomos a conversar
Sobre coisas amargas
Sobre grilhões e correntes
Que no passado eram visíveis
Sobre grilhões e correntes
Que no presente são invisíveis
Invisíveis mas existentes
Nos braços no pensamento
Nos passos nos sonhos na vida
De cada um dos que vivem
Juntos comigo enjeitados da Pátria
Carlos de Assumpção, Protesto, 1956
folha.uol.com.br. Acesso em set. 2019
Escrito no final dos anos 1950 pelo poeta Carlos de Assumpção, os versos denunciam o seguinte problema na sociedade brasileira: