Seria tempo ainda? De romper a solidão, de terminar a longa espera? Fizera sessenta anos, tinha branco o cabelo, não era mais senhor daquela força antiga a levantar fardos de charque e bacalhau, barricas de manteiga, a sustentar a roda do leme em meio às tempestades, timoneiro sem rival, mas conservara um vigor surpreendente em sua idade e o coração era o daquele adolescente sem adolescência, íntegro e apto para o grande e definitivo amor de sua vida. Sim, ainda era tempo, havia uma casa à beira da praia, de verdes janelas abertas sobre o mar, onde faltava a dona da casa, havia um solitário, com toda uma vida a viver, um passado a distribuir sem ter quem nessa tarefa o ajudasse, sem um braço onde se apoiar quando mais adiante o caminho se fizesse estreito.
AMADO, Jorge. Os velhos marinheiros. 55a ed. Rio de Janeiro: Record, 1986. p. 183.
O texto do escritor Jorge Amado revela uma temática pouco comum na maioria das suas obras e que tem relação com