ENEM/OBJ 2025 · Questão 43
Sermão de quarta-feira de cinzas
"Lembra-te, homem, que és pó, e em pó te hás de converter"
O homem foi pó e há de ser pó, logo é pó, pois tudo o que vive não é o que é, é o que foi e o que há de ser. O exemplo da vara de Arão que se converte em serpente. Deus se definiu a Moisés como aquele que é o que é, porque só ele é o que foi e o que há de ser. Se alguém puder afirmar o mesmo de si próprio também é digno de ser adorado.
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Enfim, senhores, não só havemos de ser pó, mas já somos pó: Pulvis es.
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Jó define-se como quem foi pó e há de ser pó: Abraão define-se como quem é pó. O texto sagrado não diz "converter-vos-eis em pó”, mas “tornareis a ser pó”. O que chamamos vida não é mais que um círculo que fazemos de pó a pó.
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Senhores (...) A mim não me faz medo o pó que hei de ser; faz medo o que há de ser o pó. Eu não temo na morte a morte, temo a imortalidade; eu não temo hoje o dia de cinza, temo hoje o dia de Páscoa, porque sei que hei de ressuscitar, porque sei que hei de viver para sempre, porque sei que me espera uma eternidade, ou no céu, ou no inferno.
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No momento da morte não se teme a morte, teme-se a vida.
Ora, senhores, já que somos cristãos, já que sabemos que havemos de morrer e que somos imortais, saibamos usar da morte e da imortalidade. Tratemos desta vida como mortais, e da outra como imortais. Pode haver loucura mais rematada, pode haver cegueira mais cega que empregar-me todo na vida que há de acabar, e não tratar da vida que há de durar para sempre?
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VIEIRA, A. "Sermão de quarta-feira de cinzas". In Sermões vol 1. Erechim: Edelbra, 1998, p. 55.
O texto argumentativo, pela sua natureza, tem como objetivo persuadir o público-alvo por meio de um raciocínio lógico. No "Sermão de quarta-feira de cinzas”, Antônio Vieira procura a adesão do público à sua tese principal por meio
Resolução passo a passo com explicação detalhada
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