Só Gabriela parecia não sentir a caminhada, seus pés
como que deslizando pela picada muitas vezes aberta na hora a
golpes de facão, na mata virgem. Como se não existissem as
pedras, os tocos, os cipós emaranhados. A poeira dos
caminhos da caatinga a cobrira tão por completo que era
impossível distinguir seus traços. Nos cabelos já não penetrava
o pedaço de pente, tanto pó se acumulara. Parecia uma
demente perdida nos caminhos. Mas Clemente sabia como ela
era deveras e o sabia em cada partícula de seu ser, na ponta
dos dedos e na pele do peito. Quando os dois grupos se
encontraram, no começo da viagem, a cor do rosto de Gabriela
e de suas pernas era ainda visível e os cabelos rolavam sobre o
cangote, espalhando perfume. Ainda agora, através da sujeira a
envolvê-la, ele a enxergava como a vira no primeiro dia,
encostada numa árvore, o corpo esguio, o rosto sorridente,
mordendo uma goiaba.
(Gabriela, cravo e canela: crônica de uma cidade do interior.
2. ed. São Paulo: Companhia das Letras, 2012. p.76)
Assim como, segundo o padrão culto escrito, está correto o emprego de