Soneto II
(Descreve um horroroso dia de trovões)
Na confusão do mais horrendo dia,
Painel da noite em tempestade brava,
O fogo com o ar se embaraçava
Da terra e água o ser se confundia.
Bramava o mar, o vento embravecia
Em noite o dia enfim se equivocava,
E com estrondo horrível, que assombrava,
A terra se abalava e estremecia.
Lá desde o alto aos côncavos rochedos,
Cá desde o centro aos altos obeliscos
Houve temor nas nuvens, e penedos.
Pois dava o Céu ameaçando riscos
Com assombros, com pasmos, e com medos
Relâmpagos, trovões, raios, coriscos.
Gregório de Matos. Disponível em: http://www.jornaldepoesia.jor.br/grego.html, Consultado em julho de 2013.
Considerando o texto 5, tanto no âmbito da estrutura da linguagem quanto no âmbito da temática, analise as afirmativas a seguir:
I. O eu lírico na poesia em análise ironiza a situação climática e deflagra certo telurismo sacro.
II. O eu lírico, desde a primeira até a última estrofe, demonstra sentir receio.
III. O dia, caracterizado como “horrendo”, impressiona o eu lírico e o amedronta.
IV. “Em noite o dia enfim se equivocava” é um verso que ratifica a tendência eufêmica do autor.
V. “A terra se abalava e estremecia”, embora seja uma expressão exagerada, coaduna-se com o tema central do texto.
Estão CORRETAS