Sr. Presidente, eu vi Brasília. As críticas que eu pudesse enunciar nunca atingiriam o mérito do problema da mudança da Capital da República, pois sempre considerei que um dia o Brasil teria que se concentrar, para poder expandir-se, teria que se centralizar, para melhor unificar-se. No entanto, diante do arrojo, diante do fausto, diante do esplendor das obras materiais, eu poderia articular uma crise de impugnações, não está em mim aplaudir que se gaste meio bilhão de cruzeiros para erguer no cerrado dos Gerais, no meio do planalto deserto, um palácio que vi, com olhos deslumbrados, como se estivesse vendo ser construído um trecho de Versalhes, ao influxo da vontade sem limites do Rei Sol.
(Discurso de Pedro Aleixo apud José Dantas Filho e Francisco Monteoliva. A República bossa-nova: a democracia populista (1954-1964), 1991. Adaptado.)
Nesse discurso de 1960, o deputado mineiro pela UDN