SURPREENDA-SE. O relógio seguirá a mesma sina da bengala e do chapéu. Eles não entraram em extinção absoluta. Mas seu uso diário, imprescindível, já se foi há muito tempo. Houve uma época em que homem não saía de casa sem chapéu. Ou ao menos um boné, uma boina. Cabeça descoberta, sei lá... era até feio. Bengala também fazia parte do figurino de um senhor respeitável. Hoje só é usada por necessidade.
(...) A forma de vestir se aperfeiçoou ao longo dos séculos e segue uma lógica. Algo deixou de ser necessário? Aos poucos vai saindo do figurino... O relógio, símbolo de autoridade, que passava de pai para filho, está seguindo esse caminho (...)
O modo de trajar masculino está mudando completamente. O canto do cisne do relógio tradicional é apenas a ponta do iceberg. Muitos outros itens ainda vão desaparecer. Como o lenço de pano. Antes ninguém saía de casa sem um, para o caso de espirrar. Tente lembrar. Qual foi a última vez em que você usou um lenço de pano? Seu filho adolescente tem um?
(Walcyr Carrasco – VEJA – 22.1.2020)
O tema do texto baseia-se na ideia de: