Temos, a seguir, um fragmento do conto Uma Esperança, de Clarice Lispector. Leia-o com atenção para responder à questão.
Aqui em casa pousou uma esperança, não a clássica que tantas vezes verifica-se ilusória, embora mesmo assim nos sustente sempre, mas a outra, bem concreta e verde: o inseto.
Houve um grito abafado de um dos meus filhos:
- Uma esperança! E na parede bem em cima de sua cadeira! - Emoção dele que também unia em uma só as duas esperanças, já tem idade para isso. Antes surpresa minha: esperança é coisa secreta e costuma pousar diretamente em mim sem ninguém saber, e não acima de minha cabeça numa parede. Pequeno rebuliço, mas era indubitável, lá estava ela, e mais magra e verde não podia ser.
-Ela quase não tem corpo, queixei-me.
Ela só tem alma, explicou meu filho. E como filhos são uma surpresa para nós, descobri com surpresa que ele falava das duas esperanças.[...]
LISPECTOR, Clarice. In Felicidade Clandestina, 1998.
Ao longo do texto a narradora se surpreende com o filho e emite opinião sobre ele, o que pode ser exemplificado com o trecho grifado em: