TEXTO 1
[1] E ardia, o corte, ardia a esperança, e Renê não pensou em pedir ajuda, e o Seca, saco, saca, secô
continuou por alguns instantes, até surgir, uma imagem, ou melhor, uma lembrança de uma tarde de
domingo em que ele apanhara. Fora humilhado (também) por um estranho, num daqueles domingos em
que as pessoas são geralmente felizes, antes de começar o Fantástico, ao menos. E aquela humilhação
[5] ardia como o corte. Naquela época, havia vinte anos ou mais, ele se revoltou, apenas isso, e não entendeu.
Aliás, Renê não era muito bom em entendimentos: tem gente assim, você sabe, seus pais sabem, seus
avós sabem e até alguns cachorros sabem. Foi o mastigar do tempo que o fez digerir aquele tapa de mão
aberta e o chute, naquele domingo. Ambas as coisas doeram muito mais no moral do que no corpo, e
geralmente é assim. Não que ele se lembrasse daquele fim de tarde constantemente, mas era uma imagem
[10] viva, e ao menos uma vez por ano aquilo assaltava sua mente.
SCHROEDER, Carlos Henrique. As fantasias eletivas. 4.ed. Rio de Janeiro: Record, 2016.p.18.
Analise as proposições em relação à obra As fantasias eletivas, Carlos Henrique Schroeder, e assinale (V) para verdadeira e (F) para falsa.
( ) A obra apresenta quatro partes, a primeira, S de sangue, contém os contos de A a S; a segunda, A solidão das coisas, retrata os contos a partir das fotografias de Copi; a terceira, Poesia completa de Copi, traz os poemas e a quarta, a que leva o mesmo título do romance, dá continuidade à sequência dos contos T a Z. Esta quebra caracteriza também a fragmentação na narrativa.
( ) A segunda parte da obra, A solidão das coisas, é pontuada pela intertextualidade, pois o autor intercala fotos e textos como se fossem de sua personagem Copi, uma vez que ela buscava a solidão das coisas, dos objetos, com a intenção de justificar o abandono que as pessoas sentiam, e personificava até mesmo um banal objeto para descrevê-lo solitário.
( ) Da leitura da obra, infere-se que a história de Copi, vista e desvelada por Renê, mostra que a solidão nem sempre é ruim, triste; há momentos em que ela representa o tempo de lucidez que o homem precisa para o seu próprio resgate e crescimento.
( ) Em relação à segunda parte da obra, Schroeder, ao inserir os textos como se fossem redigidos por Copi, atribui a ela a atividade criadora, depreendendo-se, então, uma terceira personagem – a solidão.
( ) As produções literárias do final do século XX e da primeira metade do século XXI, que caracterizam a Literatura Contemporânea, são marcadas por uma multiplicidade de tendências. Na obra de Schroeder destacam-se duas marcantes características desta estética: Técnicas inovadoras (recursos gráficos, montagens de foto, etc.) e formas reduzidas (minicontos).
Assinale a alternativa correta.