TEXTO 1
[1] “Eu me chamo Marina”. Então desprendi os cabelos e, em chinelos como estava,
saí pela porta da frente para nunca mais voltar.
Gosto de campinas abertas, amo a folha que flutua no ar, desgarrada da árvore.
Ah, essa insensatez de todas as pessoas condicionadas por palavras e símbolos que
[5] não são amor nem liberdade!
Aos 23 anos, tive um sonho: eu era eu mesma, porém mais esguia, o rosto mais
magro e maduro. Podia ver a beleza em minha pele, mas a vida de meus olhos se
mesclava a um verde mais profundo, como um acorde nostálgico ou melancólico em
meio a uma canção agreste. Ou como as palavras de um poema que, um dia, uma voz
[10] amiga me declamara:
Eu não dei por esta mudança
tão simples, tão certa, tão fácil:
Em que espelho ficou perdida
a minha face?
[15] “Não!”, eu gritava, “Isto não poderá acontecer!” E com um gesto brusco destruí o
sonho, que se partiu em círculos a minha volta.
SOUZA, Silveira de. Um nome: Marina in: Ecos no porão. Florianópolis: Ed. UFSC, 2012, p. 28.
Assinale a alternativa incorreta em relação ao conto Um nome: Marina, Silveira de Souza, e ao Texto 1.