Texto 1
A MARIA DOS POVOS, SUA FUTURA ESPOSA
Discreta e formosíssima Maria,
Enquanto estamos vendo a qualquer hora,
Em tuas faces a rosada Aurora,
Em teus olhos e boca o Sol, e o dia.
Enquanto com gentil descortesia
O ar, que fresco Adônis te namora
Te espalha a rica trança voadora,
Quando vem passear-te pela fria:
Goza, goza da flor da mocidade,
Que o tempo passa a toda a ligeireza,
E imprime em cada flor sua pisada.
Oh não aguardes que a madura idade,
Te converta essa flor, essa beleza,
Em terra, em cinza, em pó, em sombra, em nada.
(MATOS, Gregório de – in: Poemas Escolhidos. São Paulo Editora Cultrix, 1997, pág. 319.)
Texto 2 :
MARIETA
Como o gênio da noite, que desata
O véu de renda sobre a espádua nua,
Ela solta os cabelos...Bate a lua
Nas alvas dobras de um lençol de prata.
O seio virginal, que a mão recata,
Embalde o prende a mão...cresce...flutua...
Sonha a moça ao relento...Além na rua
Preludia um violão na serenata!...
...Furtivos passos morrem no lajedo...
Resvala a escada do balcão discreta,
Matam lábios os beijos em segredo...
Afoga-me os suspiros, Marieta!
Ó surpresa! ó palor! ó pranto! ó medo!
Ai! noites de Romeu e Julieta...
(ALVES, Castro. in: Poesia.4ª ed. Rio de Janeiro, Agir,1972.página 59)
Texto 3
LETRA PARA UMA VALSA ROMÂNTICA
A tarde agoniza
Ao santo acalanto
Da noturna brisa,
E eu, que também morro,
Morro sem consolo,
Se não vens, Elisa!
Ai nem te humaniza
O prato que tanto
Nas faces desliza
Do amante que pede
Suplicantemente
Teu amor, Elisa!
Ri, desdenha, pisa!
Meu canto, no entanto,
Mais de diviniza,
Mulher diferente,
Tão indiferente,
Desumana Elisa!
(BANDEIRA, Manuel - in: Poesia completa e prosa. 2ª ed. Rio de Janeiro, José Aguilar, 1967, página 326)
Analise as afirmações seguintes sobre aspectos dos textos em questão.
I – Em “Bate a lua / nas dobras de um lençol de prata (verso 3, texto 2); “Matam lábios os beijos em segredo...(verso 11, texto 2), “Sonha a moça ao relento...(verso 7 – texto 2), “Além na rua / preludia um violão na serenata!...” (versos 7-8, texto 2), “Resvala a escada do balcão indiscreta” (verso 10, texto 2), foram destacados termos de mesma função sintática e deslocados de sua posição habitual.
II - Em “O ar, que fresco Adônis te namora” (verso 6, texto 1), “Te espalha a rica trança voadora” (verso 7, texto 1), “Quando vem passear-te pela fria” (verso 8- texto 1), “Afoga-me os suspiros, Marieta!” (verso 12, texto 2) e “Ai nem te humaniza” (verso 7 – texto 3), os elementos destacados exercem, sem exceção, a mesma função sintática.
III – Nos versos “Enquanto com descortesia gentil (verso 5, texto 1), “Oh não aguardes que a idade madura” (verso 12, texto 1), “Nas dobras alvas de um lençol de prata” (verso 4, texto 2), “O virginal seio que a mão recata” (verso 5 – texto 2), “Passos furtivos morrem no lajedo” (verso 9, texto 2), todos os adjetivos foram deslocados sem que, com isso, houvesse alteração de sentido.
IV – Os versos “O ar, que fresco Adônis te namora,” (verso 6, texto 1), “Como o gênio da noite, que desata o véu de renda sobre a espádua nua, “ (versos 1-2, texto 2), “O seio virginal, que a mão recata,” (verso 5, texto 2), “E eu, que também morro,” (verso 4, texto 3) são de natureza meramente explicativa e, por isso, sua supressão dos textos não traria a estes comprometimento da sintaxe e do sentido.
V - Em “Enquanto estamos vendo, a qualquer hora,” (verso 2, texto 1), “Enquanto, com gentil descortesia,” (verso 5, texto 1), “Que o tempo passa, a toda a ligeireza, “ (verso 10, texto 1), “Bate a lua, nas alvas dobra de um lençol de prata.” (verso 4, texto 2), “Do amante que pede / , suplicantemente, / teu amor, Elisa!” (versos 10-11-12 – texto 3), todas as vírgulas adicionadas aos versos originais foram corretamente empregadas.