Texto 1
Casamento
Há mulheres que dizem:
Meu marido, se quiser pescar, pesque,
mas que limpe os peixes.
Eu não. A qualquer hora da noite me levanto,
ajudo a escamar, abrir, retalhar e salgar.
É tão bom, só a gente sozinhos na cozinha,
de vez em quando os cotovelos se esbarram,
ele fala coisas como “este foi difícil”,
“prateou no ar dando rabanadas”
e faz o gesto com a mão.
O silêncio de quando nos vimos a primeira vez
atravessa a cozinha como um rio profundo.
Por fim, os peixes na travessa,
vamos dormir.
Coisas prateadas espocam:
somos noivo e noiva.
Fonte: PRADO, Adélia. Terra de Santa Cruz. Rio de Janeiro: Record, 2006. p. 25.
Texto 2
“O amor inventa uma forma diferente de durar ao longo da vida. Que a existência de cada um, pela experiência do amor, confronta-se com uma nova temporalidade. [...] Mais do que isso, porém, é o desejo de uma duração desconhecida. Porque, como é sabido, o amor é uma reinvenção da vida. Reinventar o amor significa reinventar essa reinvenção”.
Fonte: BADIOU, Alain; TRUONG, Nicolas. Elogio do amor. Trad. Dorothée de Bruchard. São Paulo: Martins Fontes, 2013. p. 26.
O poema Casamento, de Adélia Prado, e a passagem extraída do livro Elogio do amor, do filósofo Alain Badiou dialogando com o jornalista Nicolas Truong, nos proporcionam reflexões acerca da experiência amorosa. Para Badiou, o amor, nos tempos atuais, encontra-se ameaçado devido aos interesses individuais e egoístas, atingindo, inclusive, as relações conjugais. Daí a necessidade de o amor ser reinventado e defendido, especialmente pela filosofia. Por outro lado, o poema de Adélia Prado mostra o caráter genuíno e autêntico do amor. Considere as afirmativas a seguir e assinale a alternativa CORRETA.