Texto 1
EURICÃO – Ai, gritaram “Pega o ladrão!”. Quem foi? Onde está? Pega, pega! Santo
Antônio, Santo Antônio, que diabo de proteção é essa? Ouvi gritar “Pega o ladrão!”. Ai, a
porca, ai meu sangue, ai minha vida, ai minha porquinha do coração! Levaram, roubaram!
Ai, não, está lá, graças a Deus! Que terá havido, minha Nossa Senhora? Terão
desconfiado porque tirei a porca do lugar? Deve ter sido isso, desconfiaram e começaram
a rondar para furtá-la! É melhor deixá-la aqui mesmo, à vista de todos, assim ninguém lhe
dará importância! Ou não? Que é que eu faço, Santo Antônio? Deixo a porca lá, ou trago-a
para aqui, sob sua proteção? Desde que ela saiu daqui que começaram as ameaças! É
melhor trazê-la. Com a capa, porque alguém pode aparecer. Santo Antônio, faça com que
não apareça ninguém! Não deixe ninguém entrar aqui. Vou buscar minha porquinha, mas
não quero ninguém aqui.
SUASSUNA Ariano. O santo e a porca. 30a ed. José Olympio. RJ 2015, pp.97 e 98.
Analise as proposições em relação à obra O santo e a porca, Ariano Suassuna, e ao Texto 1.
I. Na peça, Ariano Suassuna procura passar uma visão satirizada entre o sagrado e o profano na cultura do sertanejo nordestino.
II. Da leitura da peça, percebe-se que no momento em que Caroba esconde o dinheiro dentro de um santo de pau-oco – Santo Antônio, Ariano Suassuna traz uma visão acerca da história do Brasil, de como procediam os traficantes de ouro, durante o auge da mineração.
III. A peça encerra com um final feliz de todas as personagens com seus pares, exceto o protagonista, Euricão, que acaba sozinho, fazendo uma reflexão sobre o significado da existência.
IV. A leitura da peça leva o leitor a inferir que, embora seja uma obra do período Modernista, o fato de a personagem Euricão viver a dualidade entre o divino e o material, há uma referência à estética barroca, pois alude ao homem sempre dividido entre o mundo espiritual e o material.
V. A obra reflete a carência do sertão nordestino quando a personagem Euricão depara-se pobre, pois o dinheiro, agora sem valor algum, fora guardado na porca devido à inexistência de alguma agência bancária ou instituição financeira, na região.
Assinale a alternativa correta.