Texto 1
Os teus olhos espalham luz divina,
A quem a luz do sol em vão se atreve;
Papoila ou rosa delicada e fina
Te cobre as faces que são cor da neve.
Os teus cabelos são uns fios d’ouro;
Teu lindo corpo bálsamo vapora.
Ah! Não, não fez o Céu, gentil Pastora,
Para glória de Amor igual Tesouro.
Graças, Marília bela,
Graças à minha estrela!
Gonzaga, T. Antônio. Marília de Dirceu e Cartas Chilenas. São Paulo: Ática,1997, p.12
Texto 2
Saudosamente sentido na ausência da dama a quem o autor muito amava
Entre (ó Floralva) assombros repetidos
É tal a pena, com que vivo ausente,
Que palavra a voz me não consente,
E só para sentir me dá sentidos.
Nos prantos, e nos ais enternecidos,
Dizer não pode o peito o mal que sente;
Pois vai confusa a queixa na corrente,
E mal articulada nos gemidos.
Se para o meu tormento conheceres
Não bastar o sutil discurso vosso,
A dor me não permite outros poderes.
Vede nos prantos, e ais o meu destroço;
E entendei vós o mal como quiserdes,
Que eu só sei explicá-lo como posso.
MATOS, Gregório de. Poemas escolhidos. São Paulo: Cultrix, 2004, p.202.
A partir dos dois poemas, assinale a alternativa correta.