Texto 1
Redes sociais não são para-brisas, são retrovisores
Tiago Belotte
Por diversas vezes a gente conversa aqui sobre o universo digital e reflete junto sobre suas possibilidades
e perigos. Quando nós fazemos isso, estamos investidos na nossa alfabetização digital, tema que também já
mencionei aqui algumas vezes. A tecnologia entra, cada vez mais, em cada pedacinho da nossa vida. No nosso
sono, na nossa alimentação, no lazer, no estudo, no trabalho eu nem preciso falar. Não é?
[5] E nós abraçamos cada novidade, pois amamos inovação e tecnologia – os brasileiros mais do que todo o
resto do mundo, segundo alguns estudos. Já faz tempo que encaramos inovações tecnológicas como janelas para o
futuro. No entanto, é preciso saber quando elas também são portais para o passado.
As redes sociais, por exemplo, por mais que acreditemos que elas nos conectam com o mundo, a verdade
é que elas só nos ligam ao que já conhecemos ou gostamos. Como um retrovisor colocado a nossa frente para se
[10] passar por para-brisa. Estamos olhando para frente, mas só vemos o que está atrás.
Só aparece na sua timeline de rede social aquilo que já faz parte do seu comportamento, dos seus gostos e
das suas preferências. O que você já curtiu, comentou ou compartilhou antes. E qual o perigo disso? Acredito que
são principalmente dois.
O primeiro é que, ao ver apenas o conhecido e curtido, você não é confrontado pelo diferente, pelo novo,
[15] pela mudança. Se as redes acabaram virando o nosso principal veículo de informação no nosso dia a dia, isso se
torna perigoso, pois acaba nos fechando numa bolha. Quantas vezes você já disse ou ouviu alguém dizer “nossa,
todo mundo está na praia neste feriado” ou “tá todo mundo defendendo tal causa social”.
Quando, de fato, o “todo mundo” é só quem faz parte do meu feed. Veja bem, nem é todo mundo que eu
sigo, é só quem é escolhido pelo algoritmo para aparecer para mim. E quem é escolhido? Quem mais combina com
[20] as minhas preferências passadas.
O segundo perigo é praticamente uma consequência do primeiro. Ao nos fecharmos na nossa bolha, nos
tornamos menos tolerantes ao diferente e nos tornamos impermeáveis ao que é contrário ao nosso jeito de ser e
pensar. No entanto, é exatamente o contraditório que gera confronto de ideias. E é do confronto de ideias que nasce
o novo, é a partir da exposição ao diferente que alargamos nossos horizontes. Aí está nosso para-brisa real.
[25] Precisamos estar atentos e conscientes, aumentando nossa fluência digital, nos tornando críticos ao que
consumimos e para onde o uso da tecnologia, da forma que usamos, está nos levando.
Nos últimos dias, uma investigação, divulgada em uma série de notícias do Wall Street Journal, revela que
o Facebook — a rede social mais popular no Brasil — desde 2018 sabia que uma mudança feita em seu algoritmo
fazia mal à saúde mental de jovens e que também potencializava o alcance e o compartilhamento de conteúdos
[30] tóxicos, violentos e de desinformação.
Por isso, o papel de guardiões do nosso próprio futuro, do horizonte que enxergamos através do para-brisa,
não é das redes sociais, é nosso. A tecnologia precisa estar a favor do nosso bem-estar e do futuro que queremos,
do interesse coletivo e não apenas de alguns.
É possível falar em democracia digital? Sim, mas apenas se nós estivermos fazendo a nossa parte, como
[35] verdadeiros cidadãos digitais, cientes dos nossos deveres e direitos, entendendo os mecanismos e fazendo escolhas
melhores.
Disponível em: https://vidasimples.co/colunistas/redes-sociais-nao-sao-para-brisas-sao-retrovisores/. Acesso em: 6 out. 2021.Adaptado.
Texto 2
Texto 3
Redes sociais
Bráulio Bessa
Lá nas redes sociais
o mundo é bem diferente,
dá pra ter milhões de amigos
e mesmo assim ser carente.
Tem like, a tal curtida,
tem todo tipo de vida
pra todo tipo de gente.
[...]
Esse mundo virtual
tem feito o povo gastar,
exibir roupas de marca,
ir pra festa, viajar,
e claro, o mais importante,
que é ter, de instante em instante,
um retrato pra postar.
[...]
Lá nas redes sociais
todo mundo é honesto,
é contra a corrupção,
participa de protesto,
porém, sem fazer login,
não é tão bonito assim.
O real é indigestoT
Fura a fila, não respeita
quando o sinal tá fechado,
tenta corromper um guarda
quando está sendo multado.
Depois, quando chega em casa,
digitando manda brasa
criticando um deputado.
Lá nas redes sociais
a tendência é ser juiz
e condenar muitas vezes
sem saber nem o que diz.
Mas não é nenhum segredo
que quando se aponta um dedo
voltam três pro seu nariz.
[...]
E se você receber
esse singelo cordel
que eu escrevi à mão
num pedaço de papel,
que tem um tom de humor
mas no fundo é um clamor
lhe pedindo pra viver.
Viva a vida e o real,
pois a curtida final
ninguém consegue prever.
Disponível em: https://www.tudoepoema.com.br/braulio-bessa-redes-sociais/. Acesso em: 8 out. 2021.
Sobre os textos 1, 2, 3, é CORRETO afirmar:
I. Quanto à temática, os textos 1, 2 e 3 apresentam pontos convergentes.
II. No texto 2, a quebra de expectativa é usada para produzir humor.
III. Nos textos 1 e 2, a ironia é usada como recurso expressivo predominante.
VI. Os textos 1, 2 e 3 foram escritos usando-se o mesmo gênero textual.
V. Nos textos 1, 2 e 3, verifica-se o uso da função expressiva/emotiva.
Estão CORRETAS as afirmativas: