TEXTO 1
Soneto de Santa Cruz
Há um descompasso no tempo
no asfalto e no peso do passo
o acaso perdendo terreno
a alegria faltando pedaço
O ar virando veneno
o sol virando carrasco
há um descompasso no tempo
há um descompasso no espaço
Choveu o dia inteiro lá em casa
não teve som de obra
não teve sol na sala
Choveu o dia inteiro lá em casa
não teve pipoqueiro
nem tristeza tava
(LINS, Cícero Rosa. Soneto de Santa Cruz. Intérprete: Cícero. In: CÍCERO. A Praia. São Paulo: Deckdisc, 2015. 1 CD. Faixa 6.)
TEXTO 2
Cidadezinha qualquer
Casas entre bananeiras
mulheres entre laranjeiras
pomar amor cantar.
Um homem vai devagar.
Um cachorro vai devagar.
Um burro vai devagar.
Devagar... as janelas olham.
Eta vida besta, meu Deus.
(ANDRADE, Carlos Drummond de. Alguma poesia. 7.ed. Rio de Janeiro: Record, 2005. p.71.)
A letra da canção de Cícero e o poema de Carlos Drummond de Andrade fazem referência ao cotidiano. Ainda que possuam uma mesma temática, os dois textos divergem quanto à maneira que retratam a passagem mais lenta do tempo.
Pode-se afirmar que tal diferença